Espectros (2021) (Movimento) – TNSJ

Filho pródigo, Osvald Alving regressa a casa dos pais com uma “infeção”, doença que engendra fantasmagorias. Na sua presença, adensam-se as sombras de um conjunto de “atitudes antiquadas e crenças mortas”, os “espectros” que envenenam o presente e hipotecam as possibilidades de futuro. Circunscritas a um lugar escuro de onde ninguém sai ou entra, as personagens de Espectros (1881), do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen, vivem “com medo da luz”, inconformadas com o estrangulamento das suas vidas afetivas, ávidas de um impulso vital que as liberte de uma existência regida pelo conservadorismo e pela omnipresença do dinheiro. “Com Ibsen”, escreveu George Steiner, “a história do teatro começa de novo. Isto basta para fazer dele o mais importante dramaturgo desde Shakespeare e Racine.” O encenador Nuno Cardoso inscreve-o no repertório deste Teatro Nacional, num gesto programático que importa sublinhar. “Que herdamos nós?”, pergunta Helene Alving, mãe de Osvald. Herdamos uma força do passado, tão forte e persistente que continua a ecoar nos nossos “poucos e desalmados” dias.

DE HENRIK IBSEN
TRADUÇÃO SUSANA JANIC

ENCENAÇÃO NUNO CARDOSO
VERSÃO CÉNICA NUNO CARDOSO, MANUEL TUR
CENOGRAFIA F. RIBEIRO
DESENHO DE LUZ JOSÉ ÁLVARO CORREIA
MÚSICA E DESENHO DE SOM JOÃO OLIVEIRA
FIGURINOS TNSJ
VÍDEO LUÍS PORTO
MOVIMENTO ELISABETE MAGALHÃES
ASSISTÊNCIA DE ENCENAÇÃO MANUEL TUR

COM AFONSO SANTOS, JOANA CARVALHO, JOÃO MELO, MARIA LEITE, MÁRIO SANTOS, RODRIGO SANTOS

PRODUÇÃO TEATRO NACIONAL SÃO JOÃO